segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mais ônibus opcionais nas ruas

25/10/2010 - O Norte

Para estimular estas pessoas a utilizarem o transporte público, serão ofertados mais ônibus opcionais, com ar condicionado, poltronas confortáveis e sem superlotação. "Vamos fazer um debate com a sociedade. O sistema viário da cidade não comporta mais o número de veículos novos que estão chegando", disse. Está nos planos da STTrans fazer uma reestruturação no sistema de transporte, percorrendo vias que antes não eram atendidas pelos coletivos.

Quanto aos atrasos em algumas linhas, ele disse que é preciso saber a razão. Se for um fato esporádico, por conta de um episódio específico, não haveria necessidade de mudança. Qualquer alteração só será feita se ficar comprovado que o problema acontece diariamente. Em relação ao transporte intermunicipal, o diretor de Transportes do Departamento de Estradas de Rodagem na Paraíba (DER-PB), Rizonaldo Costa, explicou que a fiscalização de problemas relacionados ao transporte público é feita na medida do possível, porque existe uma limitação de efetivo. "Com o advento da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) vai ficar mais fácil fiscalizarmos, e as soluções devem começar a aparecer. A expectativa é que isso venha ocorrer a médio prazo. A fiscalização vai melhorar e, por conseguinte, o serviço oferecido ao usuário vai melhorar também", concluiu.

sábado, 23 de outubro de 2010

Projeto proíbe música alta nos ônibus

21/10/2010 - PB Agora

Projeto prevê proibição de música alta nos ônibus

Tramita nas comissões permanentes da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) um projeto de lei do vereador Welando Guedes (PPS) que dispõe sobre o uso de aparelhos sonoros no transporte coletivo da Capital.

De acordo com o projeto, ficará proibido aos usuários dos transportes coletivos da cidade ouvir músicas e similares através de aparelhos sonoros no “modo autofalante”. Os usuários só poderão utilizar fones de ouvidos, cabendo à Superintendência de Transporte e Trânsito (STTrans) sinalizar adequadamente o interior dos ônibus.

“Tem se tornado frequente por parte de alguns usuários de transportes coletivos de João Pessoa ouvir música através de aparelhos sonoros, principalmente celulares no “modo auto falante”. Esse comportamento tem incomodado e atrapalhado as outras pessoas presentes no mesmo espaço, violando a individualidade. Com esse projeto, objetivamos provocar o respeito e a consciência entre os munícipes e a garantia de um ambiente sem poluição nos transportes urbanos da nossa Capital”, justificou o vereador.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Salvador terá sistema Bus Rapid Transit

21/10/2010 - Tribuna da Bahia

A cidade se prepara para receber um sistema de ônibus chamado BRT – Bus Rapid Transit (Transporte Rápido por Ônibus) que circulará nas avenidas mais movimentadas.

Trata-se de um esquema de transporte coletivo operado com ônibus de grande capacidade em vias exclusivas segregadas em relação ao tráfego de veículos em geral, a ser instalado nas avenidas Paralela, ACM, Juracy Magalhães, Barros Reis e Vasco da Gama, pois já possuem espaço físico suficiente para implantação dessas vias, sem necessidade de vultosas desapropriações.

Este projeto irá proporcionar maior eficiência no transporte de passageiros de Salvador, através da redução significativa no tempo de viagem e dos custos de deslocamento, com mais confiabilidade e segurança para os usuários, melhor acessibilidade e agilidade no atendimento aos mesmos, bem como a minimização do consumo energético e emissão de poluentes, além de importantes melhorias urbanísticas, que se traduzirão numa melhor qualidade de vida da cidade.

A Etapa do Projeto BRT Salvador, prioritária para a Copa 2014, compreende os corredores Aeroporto-Acesso-Norte (Av. Paralela) e Iguatemi-Lapa (via Av.ACM e Vasco da Gama) que totalizam R$884 milhões, dos quais, já estão assegurados R$570 milhões de recursos federais, relativos à implantação do trecho Aeroporto –Acesso Norte. Os recursos para os trechos complementares estão sendo pleiteados junto ao Governo Federal pela Prefeitura de Salvador.

Estes corredores irão promover a articulação rápida, segura e confortável dos principais acessos da Região Metropolitana e de Salvador (Aeroporto e Estação Rodoviária ), com o Estádio da Fonte Nova e estádios complementares, os polos hoteleiro de turismo enegócios, o Centro Histórico e o novo Centro do Iguatemi e a rede hospitalar pública e privada, pois irá operar nos corredores estruturais de transporte da cidade, integrada com a linha de Metrô Acesso Norte-Lapa, e consolidar o principal eixo de expansão da cidade atualmente, representado pela Av. Paralela. 

Com resultados positivos em outras cidades do Brasil e do mundo, a exemplo de Curitiba (RIT), São Paulo (Interligado), Bogotá (Transmilenio), Quito (Metrobus), México (Metrobus), este sistema de ônibus cada vez mais atrai os passageiros, inclusive nestes locais citados houve até migração de pessoas que possuem automóvel e hoje utilizam este transporte devido à eficiência do mesmo. E aqui em Salvador a expectativa é de que tenha a mesma aceitação já que o objetivo principal é o de resolver os graves problemas do trânsito e do transporte público existentes na cidade.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dez empresas se inscrevem para participar de licitação do Metrô

21/10/2010 - PB Agora

Dez empresas sinalizaram interesse em participar da licitação aberta no dia 01/10 para escolher quem irá fazer o diagnóstico do melhor transporte a ser instalado na região metropolitana de João Pessoa. Entre os transportes que estão sendo estudados estão o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) – o metrô de superfície – e Veículo Leve sobre Pneus (VLP ou BRT) – ônibus bi-articulados com capacidade para 240 pessoas.

As empresas que se mostraram interessadas são a ATT Engenharia, Vetex Engenharia, ADDAX Engenharia, EXTREMA, SETEPLA, Maia e Melo Engenharia, TECPRAN, Oficina Engenharia e Consultores, Técnico em Transporte e Consultoria, VERTRAN e a Engenharia de Tráfico e Transporte.

Para ter acesso ao edital, as empresas tiveram que desembolsar R$ 50,00. Todas devem apresentar no próximo dia 03 de novembro comprovação de sua habilitação para a participação da Tomada de Preço e uma proposta técnica e de preço para a ser avaliada pela licitação pública. O valor da obra está estimado em R$ 449 mil e o valor mínimo do capital social da empresa participante deve ser de R$ 44,9 mil.

Segundo o edital, o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER/PB) torna público que realizará a contratação de serviços técnicos de engenharia a serem prestados por empresa de Consultoria Técnica Especializada tendo como objetivo a concepção de estudos conceituais para a requalificação do sistema de transporte público de passageiros da Região Metropolitana de João Pessoa.

“A empresa contratada terá como objetivo a concepção de estudos para a requalificação do sistema de transporte público de passageiro da Grande João Pessoa, visando principalmente coordenar o trânsito entre as cidades de Bayeux, João Pessoa, Cabedelo e Santa Rita”, explica o secretário de Planejamento e Gestão (SEPLAG) Osman Cartaxo.

O estudo irá levantar quais são os corredores – o que existe em termos de infra-estrutura viária – das cidades, que poderão participar da identificação de canais de coleta, recebimento e deslocamento de passageiros. Após esse passo deverá ser apontado também onde está o passageiro, de onde se desloca e para aonde vai.

O estudo também fará um levantamento do que é necessário para a integração do ramal ferroviário que liga Cabedelo à Santa Rita. “Algumas perguntas devem ser levantadas: Esse ramal pode ser integrado no sistema? Como ele pode ser integrado? Quais são as compensações para fazer dele um metrô de superfície VLT? Essas são todas decisões que esse estudo vai identificar. Por isso esse é um estudo de requalificação. Queremos descobrir como fazer para que o sistema trabalhe de forma mais coordenada e econômica”, pontua.

Em termos específicos, a empresa que ganhar a licitação deverá fazer a delimitação da área da região metropolitana de João Pessoa, fazer o levantamento de informações básicas em base secundária (livros e documentos), elaboração do diagnóstico do sistema de transporte público, diagnóstico do sistema ferroviário, verificação de eventuais sobreposições operacionais do sistema de transporte, verificação e descrição das vias, identificação do conjunto de linhas, caracterização física e operacional da linha de transporte ferroviário, nível de demanda estimada nos horários de pico, principais problemas do sistema do transporte coletivo, identificação de áreas para implantação de terminais multimodais, entre outros pontos. 

Secom PB

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Presidente Lula assina contratos para mobilidade urbana e habitação

21/10/2010 - Notícias da Bahia

A capital baiana receberá do governo federal, por meio do PAC da Copa, investimentos da ordem de R$ 570 milhões para aplicar em mobilidade urbana de Salvador. A solenidade de assinatura do contrato aconteceu nesta quinta-feira (26), no Palácio Rio Branco, na Praça Municipal, onde também foi autorizada a construção de mais 1.294 moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida. Na ocasião foi lançado ainda o edital para duplicação e recuperação de 165 quilômetros da BR-101.

O projeto de mobilidade urbana em Salvador se destina à construção do sistema Bus Rapid Transport (BRT), que são corredores exclusivos para ônibus, com previsão de integração com o Metrô. No total, serão 19,3 quilômetros ligando o Aeroporto Internacional de Salvador ao Acesso Norte da cidade. Os corredores vão contar com veículos de alta capacidade, modernos e com tecnologias mais limpas, que reduzem a emissão de CO² na atmosfera. No BRT, os embarques e desembarques são rápidos e acontecem por meio de plataformas elevadas no mesmo nível dos veículos.

O secretário do Desenvolvimento Urbano, Cícero Monteiro, afirmou que a obra será executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder) e a previsão, conforme o cronograma, é que sejam iniciadas ainda no primeiro semestre de 2011 e concluídas em 2013, antes da Copa das Confederações. Ele informou que dos R$ 570 milhões investidos, R$ 30 milhões são contrapartida do Estado.

Cidades-sedes 

De acordo com o ministro das Cidades, Marcio Fortes, o PAC da Copa financiará 47 projetos de mobilidade urbana nas cidades-sedes do mundial. Serão investidos pelo governo federal R$ 7,68 bilhões que, somados às contrapartidas estaduais e municipais, totalizam R$ 11,48 bilhões. 

Benefícios

Durante o evento, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, salientou os benefícios que os projetos trarão para as cidades após a realização do mundial. “Os investimentos deixarão um grande legado para as capitais. Além de garantir a mobilidade dos turistas, estão focados na qualidade de vida das pessoas que residem nessas cidades, com melhorias no trânsito”.

Segundo o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, esta é a primeira intervenção estruturante de transporte de massa de Salvador, levando em consideração a Copa 2014. Ele disse que outros projetos de mobilidade urbana estão sendo desenvolvidos com a finalidade de facilitar o acesso de torcedores à Arena Fonte Nova.

Minha Casa, Minha Vida

Salvador, Barreiras, São Francisco do Conde e Santo Antonio de Jesus são os municípios onde serão construídas novas unidades habitacionais por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, com investimento total de R$ 56,61 milhões. Todas as 1.294 casas terão dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com uma área de aproximadamente 44 metros quadrados. Estas unidades residenciais atenderão a famílias com renda de zero a três salários mínimos.

De acordo com o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, até o final deste mês, estão estimadas a contratação de mais 1.554 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida com recursos na ordem de R$ 66,39 milhões. Desta forma, o programa fechará o período com um total de 2.848 unidades habitacionais e R$115 milhões de investimento na Bahia.

O Programa Minha Casa Minha Vida, desde sua criação, em março de 2009, até julho deste ano, já aplicou no estado recursos da ordem de R$ 2,53 bilhões, para contratação de 44.975 novas moradias destinadas à população baiana que ganha até três salários mínimos.

BR 101 

Para a duplicação de 165, 4 quilômetros da BR-101, que liga a Bahia à Sergipe, foi lançado o edital para recuperação e duplicação da rodovia, com investimentos R$ 729 milhões. A obra será dividida em quatro lotes. O primeiro fica entre a divisa com Sergipe e o município de Entre Rios (BA), totalizando 41,6 quilômetros. O segundo, entre Esplanada e a BA-110, totalizando 41,98 quilômetros. O terceiro, entre Sitio do Meio e Teodoro Sampaio, totalizando 41,02 quilômetros. Já a última etapa ficará entre a BA-084 e Conceição do Jacuípe, totalizando 40,8 quilômetros.

Agecom







segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aracaju recebe 14 novos ônibus nesta segunda-feira

16/10/2010 - Plenário

Nesta segunda-feira, 18, às 8h30, o prefeito Edvaldo Nogueira vai entregar 14 novos ônibus, em parceria com as empresas de transporte coletivo do município de Aracaju. Serão investidos R$ 3,5 milhões na renovação da frota, processo iniciado no ano passado que já totaliza 149 novos veículos nas ruas da cidade.

O evento acontece em frente ao Palácio Ignácio Barbosa, na Praça Olímpio Campos, Centro, e marca a implantação da linha Padre Pedro/Campus, que começará a rodar na próxima terça, dia 19. Só este ano, 49 ônibus já foram entregues aos usuários do sistema público de transporte coletivo. A renovação alcança 20% da frota da cidade, que atualmente tem aproximadamente 500 veículos.



domingo, 17 de outubro de 2010

Sem prioridade, transporte coletivo agoniza em meio ao trânsito caótico

17/10/2010 - Cinform - Suzy Guimarães

O transporte coletivo sempre foi a grande alternativa das populações na maioria das cidades. De custo mais baixo em relação a outros meios, o ônibus é o ponto de partida do cidadão para chegar a todos os outros. Apesar disso, sem prioridade, é grande a agonia desse setor pela disputa de espaço em vias de circulação desapropriadas. Inúmeras são as constatações do grande risco da não prioridade ao transporte de massa. Nesse sentido, mobilidade urbana é o quebra-cabeça da atualidade a ser desvendado pelos especialistas em trânsito, planejamento de cidades, urbanistas, engenheiros e arquitetos de todo o mundo. Em Aracaju, nada é diferente e a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito – SMTT -, sem saída, busca a implantação de soluções inteligentes, a exemplo das vias preferenciais e integração intermodal ao ônibus.

Sair do Conjunto Marcos Freire III, em Nossa Senhora do Socorro, Grande Aracaju, para o Mosqueiro, Zona de Expansão da capital, onde João Rodrigues dos Santos, pedreiro, trabalha na construção de uma casa há oito meses, poderia ser mais fácil. Para chegar à obra, ele usa apenas uma bicicleta. O tempo gasto para atingir seu objetivo fica em torno de duas horas e meia. A idade de João é de 58 anos, e ele tem vários problemas de saúde, entre os quais, foi acometido por um pré-enfarte. Mas por necessidade, João não para. O pedreiro é responsável pela manutenção da mulher, de quatro filhos e de dois netos, sendo um deles portador de necessidades especiais.

Lá chegando, João trabalha pesado, ao sol, por um dia inteiro, e retorna para casa na bicicleta. Entre a distância, cansaço natural e o desconhecimento sobre suas condições de saúde, o risco é fatal. "Eu recebo passagem, mas não pego ônibus porque minha casa é longe do ponto e quando saio por volta das 4h ainda é muito escuro e o risco de assaltos e até de morte é grande", conta o pedreiro.

"Com a implantação de bicicletários nos terminais, ou paraciclos que possuem custo ainda mais baixo para instalação, esse senhor e outros, como ele, poderão sair do local em que moram um pouco mais tarde, seguir até o Terminal de Integração da Maracaju, localizado no Santos Dumont, deixar a bicicleta e continuar de ônibus com maior segurança. Na volta, eles descem e vão de bicicleta até em casa", aponta o coordenador de Ciclomobilidade da SMTT, Fabrício Lacerda Alves. Ele explica que essa não é uma realidade distante, já que os paraciclos não custam caro por não exigirem a construção de estrutura de grades, como os bicicletários que geralmente ficam fora de terminais. "Esses estacionamentos de bicicletas seriam implantados dentro dos terminais e com uma só passagem o usuário guarda a bicicleta, usa o ônibus e chega ao seu destino mais rápido", pontua Fabrício.

Fabrício lembra que, para tudo isso acontecer, é preciso investimento no setor de transporte, atentando que o bom desempenho do projeto só acontecerá mediante comprometimento dos órgãos responsáveis envolvidos. Ele deixou claro que os ônibus precisam de espaço para fluir e diminuir o tempo dos percursos, mas isso só poderá ocorrer mediante o lançamento de campanhas educativas de forma imediata. Para Fabrício, que é um o incentivador da mobilidade intermodal, deixar o carro em casa é o melhor para a circulação em grandes centros. "Não é a solução total. No entanto, é um bom ponta-pé inicial", diz.

Fabrício entende que há um conjunto de fatores que devem ser repensados nas cidades. Com relação especifica a Aracaju, ele atenta que os terminais de ônibus precisam com urgência de remodelação, o que segundo ele, já está programado para acontecer. Um ponto importante para que a integração intermodal funcione é que as avenidas e ruas possuam uma boa sinalização, tanto vertical, quanto horizontal. "Pintar faixas é muito simples. Requer apenas tinta para gravar os sinais no asfalto. No caso da sinalização vertical, são placas colocadas ao longo das vias nos locais certos. Tudo isso requer um custo acessível, sem dúvida", diz o funcionário da SMTT.

VIAS SEGURAS

Dentro do contexto, ele observa que uma via bem sinalizada facilita a fluência do tráfego no momento em que cadeirantes, ciclistas, pedestres contam com boa visibilidade e juntamente com uma boa educação no trânsito não invadem a pista com sinal aberto e buscam atravessar nas faixas. Para o estudioso em trânsito, esse é um ponto crucial para diminuir o índice de acidentes e atropelamentos que ceifam vidas e aumentam o caos no trânsito.

De uma forma profundamente equivocada, o automóvel ocupa 90% do espaço viário das cidades, e transporta somente 20% das pessoas., O superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju – Setransp - José Carlos Amâncio observa que as políticas de mobilidade devem servir para diminuir as desigualdades e promover a inclusão social. Nesse sentido, Amâncio admite que o poder público deve combater o transporte ilegal que não respeita as leis e nem o processo de educação no trânsito. É nesse ponto que ele cita o BRT - ou Bus Rapid Transit -, que consiste em corredores exclusivos para o tráfego de ônibus nas grandes cidades.

José Carlos Amâncio chama a atenção para o fato de que um ônibus de alta capacidade pode transportar até 270 passageiros, o que diminui o número de carros nas vias, e aumenta a oferta de mobilidade para a maioria das pessoas. "O BRT é um projeto bom, importante. No entanto, nesse momento, a meu ver, a educação para o trânsito tem de ser priorizada. Se assim não for, não haverá respeito às vias únicas, e o caos pode ser ainda pior", observa o superintendente do Setransp. Para ele, a integração com bicicletas é uma grande saída, mas que também deve ser orientada e as vias necessitam de sinalização adequada. Amâncio atenta que uma saída provisória, poderia ser a alternância de vias em horários de pico.

"Cito como exemplo a Avenida Hermes Fontes, que interliga uma grande área da cidade, atravessando diversas vias de Aracaju. Nos horários de pico, uma das vias poderia funcionar com uma faixa exclusiva para ônibus", sugere. Ele observa, ainda, que hoje a velocidade média de um ônibus circulando em momento de pico é de 17 quilômetros por hora. Com o BRT, esse deslocamento se daria a 35 quilômetros por hora. Hoje o BRT está em 80 cidades do mundo como alternativa para a mobilidade urbana. Amâncio lembra que com vias exclusivas, os ônibus duram mais e oferecem conforto aos passageiros, rapidez e segurança. "O ônibus é o transporte mais usado e continua sem apoio. Ele não tem nenhuma forma de subsídio nem mesmo para consertos quando quebram em vias danificadas", constata.

Pontos elevados: acessibilidade ao alcance de todos

Muitas são as dificuldades, principalmente para quem tem necessidades especiais e nem sempre conta com uma estrutura adequada nas cidades. Quem pensa assim é o arquiteto Urbano da SMTT, Júlio Santana. Segundo ele, o BRT é compreendido de vários pontos e um deles são as paradas de ônibus com calçadas elevadas à altura do coletivo, para a mobilidade adequada dos passageiros, maior acessibilidade dos cadeirantes e portadores de deficiência.

"Sofremos muito, porque os pontos de ônibus principalmente em bairros afastados ficam em locais com vários desníveis, onde a cadeira não anda direito e para alcançar o degrau do elevador nos ônibus é um grande esforço. Gostaria de ver uma solução, porque as pessoas reclamam que nós atrasamos a viagem. Mas fazer o quê?", admite José Luiz Santos Moura, cadeirante e líder comunitário do bairro Pau Ferro, zona-norte de Aracaju.

Incentivar o uso do ônibus é solução clara para desafogar o trânsito

Júlio Santana explica que o projeto de paradas elevadas fará com que um número maior de pessoas opte pelo transporte coletivo, acrescentado que os estudos já estão em andamento. No conjunto, as vias exclusivas serão dotadas de sensores para que o sinal abra somente para os ônibus quando esses se aproximarem, alternando em seguida com os outros transportes, aumentando a fluência no tráfego. "O BRT é complexo, ainda está em análise em Aracaju, no entanto já é realidade em outros países e no Brasil", observa o arquiteto. Para se ter noção da importância de um ônibus no processo coletivo, ele pode transportar 75 pessoas de uma só vez, tirando das ruas até 70 carros.

Ônibus é esquecido, e investimento no setor é precário

Apesar da importância do ônibus, em decorrência da sua capacidade ampliada de transportar passageiros e de criar mobilidade adequada, o que se vê são veículos quebrados em avenidas, pneus danificados, além do vandalismo que lhes danificam a estrutura. Como resultado final, tem-se uma frota não muito satisfatória. Quem sofre é o condutor, cobrador, passageiro, empresário e todos que utilizam o transporte coletivo.

Apesar dos investimentos do setor em renovação das frotas, os proprietários de empresas alegam que mesmo denunciando a falta de interesse dos governantes nada muda. O superintendente do Setransp José Carlos Amâncio assegura que os números não são animadores e mostram a deficiência existente na geração de subsídio para que os ônibus se mantenham em condições de rodar.


sábado, 16 de outubro de 2010

Banco de Dados do Transporte Coletivo de Passageiros do Piauí

16/10/2010 - Memória do Transporte Público

A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Ceará, Piauí e Maranhão - CEPIMAR, organiza do Banco de Dados  do Transporte Coletivo de Passageiros do Piauí, disponível no seguinte link:

www.cepimar.org.br/bdpiaui

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

João Pessoa recebe nova frota de ônibus nesta segunda

30/08/2010 - Portal Correio 

Depois da entrega de dez ônibus zero km em março deste ano, durante a inauguração do Terminal de Integração do Colinas do Sul, mais 33 novos veículos em solenidade ocorrida na Estação Cabo Branco, em janeiro, e 8 outros veículos eficientes colocados em circulação em junho deste ano, os empresários do setor de transporte coletivo de João Pessoa vão incorporar mais 13 novos veículos à frota de João Pessoa, totalizando 64 ônibus da renovação anual da frota da capital paraibana, fixada este ano em 70 veículos.

A entrega dos novos ônibus acontece nesta segunda, em solenidade no anel interno do Parque Sólon de Lucena.

O prefeito de João Pessoa, Luciano Agra participa do evento de entrega desses novos veículos, sendo quatro da Mandacaruense, quatro da Marcos da Silva, dois da São Jorge e três da Boa Viagem.


Natal também deve aderir ao BRT para a Copa 2014

03/10/2010 -Redação 24horasnews

Natal poderá ganhar em breve mais opção de transporte coletivo: Bus Rapid Transit. Ou apenas, BRT. O sistema consiste na utilização de corredores exclusivos para dar mais celeridade ao trânsito nas grandes cidades. A intenção de diminuir os constantes engarrafamentos na capital potiguar é cada vez mais consistente já que tanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) como o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Natal (Seturn) têm projetos sobre o transporte e avaliam a possibilidade de implantá-lo em Natal até a Copa de 2014.

Diversas capitais já aderiram ao BRT, entre elas estão: São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Goiânia (GO). Segundo o diretor de Comunicação do Seturn, Augusto Maranhão, o Ministério das Cidades está apostando nesse sistema porque detectou que as alterações no trânsito dessas cidades foram positivas. "O BRT é de fácil operação e implantação, mas é necessário que sejam criados corredores exclusivos".

Augusto lembra ainda que outro benefício do BRT é o valor de implantação que custa apenas 10% do que custaria o Veículos Leve sobre Trilhos (VLT). "Se cada quilômetro do VLT custa, por exemplo, R$ 1 milhão, para estabelecer o BRT seriam gastos apenas R$ 100 mil", comparou.

Na análise do diretor de comunicação do Seturn, se os projetos forem aprovados ainda este ano - depois de discussão em audiências públicas e aprovação popular - é possível que Natal ofereça o serviço já em 2013 durante a Copa das Confederações. O secretário adjunto de ransporte de Natal, Sílvio Medeiros, também é favorável à implantação do BRT porque o sistema possibilitaria uma maior capacidade no número de passageiros transportados diariamente e tornaria o fluxo mais ágil. "O problema do trânsito de Natal é o transporte porque a frota é muito grande. A solução para o trânsito de Natal é oferecer transporte público de qualidade, por isso estamos estudando o projeto do BRT", afirma.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mensagem do Executivo solicita abertura de crédito para projeto de mobilidade urbana

24/09/2009 - Câmara Municipal de João Pessoa - Damião Rodrigues

A mesa diretora da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) recebeu, na sessão plenária da quarta-feira (23), uma mensagem do Poder Executivo solicitando autorização para abertura de crédito especial com inclusão no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária, relativo ao exercício financeiro de 2009, para a elaboração de um ‘Plano Diretor de Acessibilidade, Transporte e Mobilidade Urbana’.

A Prefeitura enfatiza que a solicitação de dotação orçamentária, no valor de R$ 2,45 milhões é de fundamental importância para viabilizar o ‘Plano Diretor de Transporte Urbano’ e um corredor expresso de ônibus de João Pessoa.

O plano diretor será um instrumento utilizado para nortear o planejamento dos transportes urbanos da Capital, procurando reunir a seleção e a projeção de cenários, métodos e tecnologias que evidenciem soluções para o setor.

Já o corredor expresso será planejado após amplo estudo e elaboração de projeto para implantar um corredor BRT (Bus Rapid Transportation – sistema de ônibus rápido), na Avenida Epitácio Pessoa, com a implantação da infraestrutura através de vias e de terminais, incluindo, também, sinalização, mobiliário, parada e a definição de novos meios de transporte.

O valor da dotação orçamentária será obtido através de convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) e também através de contrapartida do município por meio de anulação de dotações orçamentárias do seu próprio orçamento.

BRT

O sistema de ônibus rápido ou Bus Rapid Transportation (BRT) é um sistema de corredor de ônibus exclusivos e isolados (uma ou duas faixas para cada sentido) para veículos de alta capacidade. O sistema também inova no pagamento das passagens que são pagas nas estações, encurtando o tempo de embarque e de paradas de ônibus.

No Brasil, uma das primeiras cidades a implantar o BRT foi Curitiba, no Paraná, que desde 1974 vem replicando o sucesso do sistema para diversas cidades do mundo, como, por exemplo, Bogotá, a capital da Colômbia. E agora no país, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo já preparam o projeto do sistema BRT, além de João Pessoa.

Natal é a 2ª capital do nordeste com mais carros

13/10/2010 - Tribuna do Norte

Em Natal, a frota quadruplicou no mesmo período, passando de 74.275 veículos em 1992 para 298.995 este ano. Um “pulo” de 302,5%. E no interior, o percentual foi maior ainda: quase 880%. Das 47.282 unidades registradas há 18 anos, a frota cresceu para 462.938 e não dá sinais de redução no ritmo. Os dados finais se referem às 15h36 da última quarta-feira, dia 29, e sua evolução pode ser acompanhada em tempo real no site do Detran-RN. Além dos pouco menos de 300 mil carros em Natal, Parnamirim tem mais de 55 mil. Somados, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Extremoz e Ceará-Mirim agregam mais 32 mil à frota. Assim, pode-se falar em mais de 380 mil veículos circulando na Grande Natal.

O secretário-adjunto de Trânsito da Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal, Haroldo Maia, destaca que todas as cidades de médio e grande porte no Brasil já enfrentam problemas de congestionamento. “Não existem obras de engenharia para acompanhar o crescimento da frota. Qualquer intervenção que vise o transporte individual é um paliativo que terá efeitos apenas imediatos. A saída é investir no transporte coletivo e garantir espaço segregado para os ônibus. Com essa quantidade de automóveis, não existe solução porque a quantidade de vias não a comporta”, afirma. Para passar da teoria à prática, a Semob recorreu a uma solução comum nas administrações brasileiras: contratou um plano de mobilidade, já em elaboração, que vai traçar o novo desenho da rede de transporte da capital potiguar.

“Como Natal tem uma superposição muito grande de linhas, o plano vai otimizar o sistema. Natal nunca fez uma licitação para a concessão das linhas de ônibus, que vence no final deste ano. Já encaminhamos a proposta para o gabinete da Prefeita e estamos aguardando um posicionamento”, afirma Haroldo Maia. Outra ação considerada fundamental – a criação de mais corredores exclusivos para ônibus – depende também da conclusão deste plano e da decisão final sobre a licitação das linhas. Assim, a prefeitura tem o discurso, mas ainda não conta com uma lista de obras definidas.

Licitação - De acordo com o secretário-chefe do Gabinete Civil da Prefeitura, Kalazans Bezerra, a decisão já está tomada, mas não há um prazo fixado para a publicação do edital. “A licitação vai sair pela primeira vez na história de Natal. É um assunto extremamente complexo do ponto de vista jurídico, então estamos tendo todos os cuidados para que o processo não corra perigo de ser anulado. A revisão jurídica deve ser minuciosa. Assim que o trabalho for concluído, o que deve acontecer muito em breve, o edital será publicado”, promete Kalazans. Ele não sabe se haverá tempo para isso acontecer ainda este ano, mesmo com a informação do secretário-adjunto Haroldo Maia de que a concessão das linhas vencerá em 2010.

Natal é a 2ª capital do nordeste com mais carros

Com 32,5 veículos por habitante, Natal é a segunda capital do Nordeste com mais carros, e fica em 15º lugar em nível nacional. Entre as capitais da região, Aracaju tem a maior relação entre veículos e população (35,5). As cidades maiores, com trânsito mais complicado, ficam atrás percentualmente: Salvador tem apenas 20,5 unidades por morador, Fortaleza, 26,6 e Recife, 29,8. A recordista nacional é justamente Curitiba, considerada referência em transporte público desde a gestão do então prefeito Jaime Lerner. A capital paranaense tem nada menos do que 65,4 veículos por habitante.

“O governo incentiva o transporte individual, facilitando a compra e reduzindo impostos, com o argumento da geração de empregos. Mas o problema que essa política causa na qualidade de vida das cidades é enorme”, critica o secretário-adjunto de Trânsito da Semob, Haroldo Maia. Ele apresenta alguns índices para provar que a dependência do transporte individual não é sustentável. “O carro ocupa 6,4 vezes mais espaço e polui mais do que o ônibus, consome 4,5 mais, é 8 vezes mais caro e é o que mais se envolve em acidentes”, cita. Segundo ele, o exemplo a ser seguido em Natal é a avenida Bernardo Vieira, apesar das críticas feitas à requalificação por motoristas e comerciantes. “Lá passam 130 mil passageiros de ônibus por dia e eles não reclamam”.

Dados da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e do Instituto de Pesquisas Sociais Aplicadas (Ipea) mostram que, em 2006, o Brasil gastou R$ 32 bilhões com acidentes de trânsito, a maioria envolvendo veículos privados. “A tendência mundial é criar políticas de restrição ao uso dos automóveis. O município sozinho não tem condições de arcar com os investimentos em transporte. Deve ser uma responsabilidade dividida entre os três níveis de governo”, defende Maia. Para ele, o segredo para convencer as pessoas a deixarem o carro em casa é a credibilidade do sistema de transporte público. “Em Curitiba, passa um ônibus por minuto”, exemplifica. 

O adjunto considerada uma “crueldade” o que se faz com o usuário de ônibus na maioria das cidades brasileiras. “O trabalhador arca com todos o custos de transporte, sem subsídio estadual nem federal. Em Natal, a Taxa de Serviço não é incluída no custo. O Governo Federal deveria subsidiar o óleo diesel e facilitar o crédito para aquisição de ônibus.”

Falta estímulo ao transporte coletivo

Se Natal não tem ainda um plano com ações definidas para estimular o transporte coletivo, no tocante às obras viárias os próximos anos devem ser fartos em investimento. Isso porque a cidade tem garantidos R$ 439,5 milhões para realizar uma série de intervenções estruturadoras, dentro do PAC da Copa. São 18 obras, das quais 13 sob responsabilidade da Prefeitura e o restante do Governo Estadual. As primeiras licitações já foram lançadas e o município espera começar, ainda este ano, as obras do chamado “Trecho Extenso”, que compreende o corredor estrutural oeste (BR-226), em Igapó; o complexo viário da Urbana, entre o Bairro Nordeste e as Quintas, e a reestruturação geométrica da avenida Capitão-Mor Gouveia (até a rua São José), em Lagoa Nova. O prazo para conclusão de todas as obras é 2013, quando acontece a Copa das Confederações.

“O conjunto de obras vai melhorar muito o trânsito e o transporte”, acredita a secretária-adjunta de Planejamento da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), Francine Goldoni. Ela explica que a primeira intervenção a ser iniciada vai acabar com a competição entre o transporte coletivo e o individual, além de melhorar o acesso à zona Norte. “As obras vão implantar ciclovia e corredor de ônibus da ponte de Igapó até a Mor Gouveia, na confluência com a rua São José, passando pelo Km 6 e pela Urbana. Serão construídos um pontilhão elevado e um viaduto”, explica. Investimento total de quase R$ 100 milhões, sendo a maior parte do Governo Federal.

Para as demais obras, a Semopi está finalizando os preparativos dos processos licitatórios, que devem começar ainda este ano. Estão incluídos a requalificação dos entroncamentos da Capitão-Mor Gouveia com a avenida Salgado Filho e avenida Prudente de Morais, desta com a Raimundo Chaves e com a Lima e Silva, cuja confluência com a Romualdo Galvão também será melhorada. O plano prevê também a reestruturação da Antônio Basílio e Amintas Barros, com pontilhões elevados e um viaduto. Vários pontos da cidade ganharão novas plataformas de embarque e desembarque para usuários de transporte coletivo, além de melhorias nas calçadas e na sinalização.

Pelo Governo do Estado, serão realizadas a implantação ao acesso entre o novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante e a BR-406, os entroncamentos da avenida Engenheiro Roberto Freire com a avenida Ayrton Senna, rua Missionário Gunnar Vingren e a Via Costeira, além de mais uma etapa do prolongamento da Prudente de Morais (ligação entre o aeroporto Augusto Severo e a Arena das Dunas).

A nova Bernardo Vieira, cujo projeto separou carros particulares dos ônibus, recebeu muitas críticas

sábado, 2 de outubro de 2010

SIT de Fortaleza em 1992

Sindicato de empresas de ônibus apresenta projeto de BRT para Prefeitura de Natal e governo do RN

29/09/2010 - Blog de Olho em 2014

Sistema semelhante ao de Curitiba é opção ao caro
Veículo Leve sobre Trilhos

Crédito: Cyro Souza


O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Natal (Seturn) está fazendo uma nova aposta para melhorar o sistemas que interliga as linhas de ônibus da capital, com a implantação do BRT (Bus Rapid Transit), uma modalidade de organização das vias de transporte público diferente da que é adotada atualmente no Rio Grande do Norte.

O BRT chega para substituir o projeto de implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), sistema que vem sendo discutido em Natal já faz dois anos. De acordo com a Secretaria de Mobilidade Urbana, a implantação do VLT seria cara demais, não apenas quanto ao valor do maquinário, mas também quanto às obras de instalação dos trilhos por toda a cidade.

No caso do BRT, o Seturn está tentando repetir a mesma experiência feita em Curitiba nos anos 60 e que rendeu aos paranaenses um dos melhores transportes públicos do país. Essa necessidade nasce principalmente das dificuldades que Natal poderá enfrentar na locomoção de torcedores para a Arena das Dunas em 2014. Como havíamos destacado em posts anteriores, a cidade precisará de uma ampliação na sua frota de ônibus, assim como no número de linhas que cruzam a capital potiguar devido ao futuro crescimento de sua população, fato agravado pela realização dos jogos.

As empresas de ônibus vêm manifestando há algum tempo sua insatisfação com a não inclusão de suas visões e propostas no planejamento das estratégias do poder público para o Mundial de 2014. Dessa maneira o sindicato preferiu lançar por conta própria a proposta para a Prefeitura e o Governo Estadual de realizar uma readaptação do pensamento do transporte coletivo natalense e contratou uma equipe de consultores, que fez uma analise do sistema local para criar novas soluções.

A implementação do BRT não passa apenas pela implementação dos novos ônibus, mas também pela criação de um novo plano de transportes, com abertura de corredores exclusivos para ônibus nas principais avenidas. De acordo com o diretor de comunicação do Seturn Augusto Maranhão, o custo de implantação do BRT chega a ser 90% mais barato que o outro sistema.

No entanto, Maranhão ressalta a falta da realização de audiências públicas para discutir o tema da mobilidade urbana. “Temos que ter as audiências junto ao poder público, à UFRN, aos conselhos comunitários etc. Acho que o Seturn, por sua experiência, teria muito a acrescentar”, disse. O diretor, que também é dono de uma das maiores empresas de transporte da cidade, foi além ao comentar os benefícios de sediar um Mundial ao afirmar que “o grande legado para Natal será na mobilidade urbana. O resto é elefante branco”.

http://deolhoem2014.terra.com.br/blog/natal

Trânsito cada vez mais complicado

13/06/2010 - Tribuna do Norte - Wagner Lopes Repórter


Adriano AbreuA frota de carros de Natal cresceu assustadoramente, o que tem provocado congestionamentosA cidade é outra, a realidade é a mesma. Em 2011 a municipalização do trânsito de Natal completará uma década e o transporte e o tráfego na capital potiguar continuam enfrentando o mesmo grande desafio de quase 10 anos atrás: evitar o estrangulamento das principais vias, devido ao aumento contínuo da frota, que se ampliou 13 vezes desde 1988. A solução é unânime entre os especialistas e passa necessariamente pela melhoria do sistema de transporte público, sem a qual se tornará quase impossível controlar um crescimento médio de 20 mil novos veículos por ano.

Taxista há 11 anos, Rodrigues Camilo da Silva não poupa críticas às mudanças pelas quais o trânsito natalense passou desde a municipalização. “Piorou 100%. Hoje em dia, em todo canto que você andar, as maiores vias como a Hermes da Fonseca, Salgado Filho, Bernardo Vieira, Prudente de Morais, vai ver congestionamento. E agora é o dia todo, antigamente era só no horário de pico”, recorda o profissional.

No quesito “pior mudança”, ele dá medalha de ouro às modificações na Bernardo Vieira. “Piorou demais. Quiseram fazer no estilo de Recife e não teve condições”. Já das melhorias, o taxista cita duas: “A ponte nova (Newton Navarro) melhorou muito o acesso à zona Norte e o Via Livre está melhorando bastante as ruas”. Em seu entender, era necessário transporte público de qualidade para a população deixar os carros em casa, ou o município adotar medidas como transformar a Salgado Filho e a Prudente de Morais em vias de mão única, “porque a situação é gravíssima”. 

Os usuários dos transportes coletivos também não veem avanços. Manoel Alves trabalha em uma oficina de móveis e leva até mais de uma hora para fazer o percurso de menos de 10 km entre Petrópolis e o bairro de Pirangi. “Piorou muito, dá mais congestionamentos na cidade e os ônibus até têm dia que é bom, mas geralmente é fraco. Demoram. Então não melhorou é nada”, aponta.

Para quem se desloca para a zona Sul, a situação é cada vez pior e o secretário-adjunto de Trânsito do Município, Haroldo Maia, explica o motivo. “As mudanças no tráfego levam em conta o desenho urbano da cidade. Antes, por exemplo, só havia uma ligação entre zona Norte e Sul e isso era um problema. Agora com a nova ponte foi minimizado. Os pontos críticos aparecem em função da economia”, destaca.

Antigamente, lembra o secretário, o desejo de viagem das pessoas era para o centro da cidade, onde se concentravam serviços e comércios. “Hoje, com o Plano Diretor permitindo a abertura de negócios em todo o município o eixo vem mudando. Pela vocação turística, que é a mola de desenvolvimento de Natal, a região Sul, próximo à Ponta Negra, tem se tornado o desejo maior de viagem dos natalenses, reúne universidades, shoppings, hotéis, serviços e é onde as pessoas trabalham.”

Com isso, vias como a Roberto Freire, Salgado Filho e o trecho urbano da BR-101 se tornaram cada vez mais congestionadas. “Antigamente você pegava a Roberto Freire tranquilo para ir à praia, mas agora tudo está concentrado lá, serviços, supermercados, bancos, e a situação ficou bem diferente”, reconhece.

Transporte público é a solução

Os milhões previstos para serem investidos em obras de mobilidade urbana em Natal podem se limitar a meros paliativos, se não for dada prioridade ao transporte de massa. A opinião é do secretário adjunto de Trânsito do Município, Haroldo Maia. “O principal desafio para todos os municípios, sobretudo as capitais, é administrar a circulação da frota crescente, em um espaço físico que não aumenta, é constante. A saída então é investir em transporte público”, reforça.

Ele lembra que Natal é um dos municípios com menor área territorial dentre as capitais brasileiras, apenas 170 km2, e por isso é ainda mais importante para a cidade preservar o espaço destinado ao transporte público. “Seja com ônibus, metrô de superfície, VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), é função do poder público preservar esse espaço, porque se depender do transporte individual, o automóvel, não tem solução. Tudo que a gente fizer é paliativo e em pouco tempo estará superado pelo aumento da frota.”

Haroldo Maia entende que as propostas de restrição ao uso do automóvel individual são bem-vindas, mesmo aquelas que preveem proibição de acessos às áreas centrais, porém ressalta que o melhor caminho é mesmo a melhoria do transporte público. “A partir do momento que a gente considera que uma via é um bem público, e é bastante caro, quanto mais pessoas estiverem usando é melhor. E o transporte público é o que transporta mais gente. A partir do momento que poucos usam a via, não existe equilíbrio”, observa.

Para melhorar o transporte público, a licitação das linhas de ônibus, que hoje são operadas por concessão, é considerada fundamental. “Está dentro do Plano de Mobilidade da Semob (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana), que está em fase conclusiva e que levou em conta estudo da rede de transporte e o desejo de viagem das pessoas, ou seja, para onde o pessoal quer se deslocar, sugerindo novos traçados.”

Haroldo Maia considera a licitação um passo decisivo para definir melhor as regras e o órgão gestor ter mais condições de gerenciar o sistema. Ele lembra que, atualmente, é praticamente impossível criar novas linhas, apesar da demanda das comunidades, e a alternativa acaba sendo estender o percurso das atuais. “Com a licitação, poderemos ter novos trajetos dentro de um novo modelo e em cima de uma nova rede que está sendo planejada para facilitar os deslocamentos.”

Haroldo alerta que ao final deste ano se extingue a concessão das atuais linhas. “Não depende da Semob, mas o ideal é que em 2011 já seja implantado o novo modelo, com a licitação”, afirma.

Processo enfrentou dificuldades, diz urbanista

Poucos nomes se relacionaram tanto com o trânsito de Natal no período da municipalização quanto o de Walter Pedro. Urbanista com especialização em Gestão de Trânsito pela UFRN, foi gerente do Sistema Viário da antiga Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (STTU) entre 1996 e 1997, chefe do Departamento de Engenharia de Trânsito de 1999 a 2005 e do Departamento de Fiscalização de Trânsito em 2008.

Atual gerente de Trânsito de Mossoró, lembra como foi o processo na capital: “Em um primeiro momento ouve resistência por parte do Detran, provavelmente devido à perda de parte do poder, mas com habilidade e bom senso conseguimos o objetivo.” Walter Pedro destaca que o processo de municipalização nas cidades brasileiras iniciou-se da necessidade de unificar as gestões de trânsito e transportes.

“Não havia mais condições de administrar o sistema de transporte descoordenado das ações de melhoria do trânsito”, ressalta. As municipalizações ganharam força com a aprovação do Código de Trânsito Brasileiro, em 1997. “Em Natal, apesar de existir uma maior aproximação das equipes técnicas (do Detran e STTU), a formalização de relações de apoio técnico mútuo era bastante tímida, quando não tendentes a formar áreas de atrito”, revela.

Em seu entender, em 2001 não restava outra alternativa a não ser a Prefeitura reivindicar e assumir a gestão do trânsito municipal, “apesar das dificuldades financeiras e estruturais”. O ex-servidor da STTU recorda que os principais desafios do trânsito e transporte na época eram implantar melhorias na malha viária, priorizando o sistema público de passageiros; modernizar os semáforos e adequar vias que servissem de alternativa ao escoamento dos veículos particulares.

O objetivo principal era diminuir a sobrecarga nos principais corredores de ônibus da cidade (Bernardo Vieira, Prudente de Morais, Coronel Estevam, Felizardo Moura, Hermes da Fonseca/Salgado Filho). “Alguns pontos eram bastante preocupantes, mas sem dúvidas a pior situação era o corredor Felizardo Moura-ponte de Igapó, via totalmente saturada, sem áreas adjacentes para ampliação e sem outra opção de deslocamento, exceto a balsa, que era cara e com pouca capacidade de transporte de veículos”, relembra.

Não bastassem as dificuldades financeiras e estruturais, a STTU também enfrentou resistência às mudanças que pretendia implementar. A priorização do sistema de transporte de massa, em detrimento do individual, muitas vezes limitando acesso e diminuindo áreas de estacionamento para veículos particulares, atingiu principalmente a classe média, formadora de opinião.

“Isso resvala na classe política, o que em determinado momento limita ou adia a ação das equipes técnicas, mesmo sabendo que o benefício ao usuário do transporte de massa é comprovadamente eficaz”, enfatiza.

Ponte foi um dos principais avanços no sistema viário 

Para o ex-diretor da antiga STTU, Walter Pedro, a construção da ponte Newton Navarro possibilitou uma segunda opção de deslocamento entre a zonas Norte e Sul, representando “um divisor de águas para o sistema viário da cidade”. Mais que uma simples ligação viária, a nova passagem teria significado até mesmo o rompimento do processo de discriminação da zona Norte, que se agravava em decorrência da dificuldade de deslocamento dos moradores do “outro lado do rio”.

O especialista não para nesse exemplo e cita uma obra polêmica. “A implantação do corredor exclusivo da Bernardo Vieira é um bom investimento prioritário para o sistema público de passageiros. A segregação de parte da via para os ônibus permitiu aumento substancial da velocidade comercial e mais eficiência no quadro de horários, dando confiabilidade ao sistema”, defende.

Outras mudanças positivas citadas pelo gerente de Trânsito de Mossoró foram a abertura do cruzamento da Jaguarari com a Presidente Bandeira (Alecrim), o pontilhão da Beira Canal com a Regulo Tinoco (no Baldo) e a abertura do cruzamento da São José com a Mor Gouveia (Lagoa Nova). “Além da pavimentação asfáltica de diversas vias importantes no bairro de Lagoa Nova”, acrescenta.

Para ele, a possibilidade de o usuário se deslocar para qualquer parte da cidade pagando apenas uma tarifa, iniciada com a implantação das estações de transferência, foi outro avanço considerável nesses quase 10 anos. “Apesar do muito que já foi feito, ainda poderíamos ter feito mais como a conclusão do Pró-Transporte da zona Norte”, cita, referindo-se ao projeto que inclui os principais corredores viários da região, com recursos de mais de R$ 70 milhões. “Temos ainda a conclusão da segunda etapa de alargamento da Hermes da Fonseca/Salgado Filho, entre a Alexandrino e a Antônio Basílio.”

Para o especialista, mais uma grande obra a ser executada é o anel viário em torno da cidade, abrindo uma alternativa de acesso entre as regiões Sul, Oeste e Norte e desafogando vias centrais, como a Bernardo Vieira e a Salgado Filho, além de servir de opção ao transporte de cargas e facilitar a integração do trânsito em toda região metropolitana.

“É inconcebível continuarmos acompanhando o aumento da frota de transporte público de passageiros intermunicipal sobreposto ao sistema urbano, o que muitas vezes dobra o número de ônibus que trafegam em alguns corredores, aumentando o conflito com os demais veículos e contribuindo com o aumento dos congestionamentos”, explica. Walter Pedro defende ainda a implantação de corredores exclusivos de transporte rápido por ônibus, terminais de integração nos limites do município e modernização do sistema de trens urbanos.

Via Livre mexe com interesses de uma minoria

Walter Pedro considera que o projeto Via Livre, implantado em Natal desde 2009, pode ser considerado “um importante processo de tratamento viário nos corredores de Natal”. Ele lembra que a proposta é tecnicamente simples (limitar os estacionamentos nas vias, liberando mais faixas para o tráfego), de baixo custo e de grande impacto no trânsito, mas de difícil implantação: “Vai de encontro a interesses pessoais de uma minoria com uma grande capacidade de mobilização. Portanto, a implantação é prova inequívoca de maturidade política por parte do gestor público.”

O secretário adjunto de Trânsito, Haroldo Maia, afirma que o Via Livre vem representando um avanço muito grande na fluidez do tráfego e na melhoria da mobilidade. “E atinge todas as classes sociais: quem anda de ônibus, táxi, van, automóvel, transporte escolar.” Ele lembra que os congestionamentos representam custos altíssimos para a sociedade, incluindo os financeiros, com a perda de tempo e de combustível; os ambientais, com a liberação de gases pelos veículos e a barulheira; e mesmo psicológicos, no tocante à qualidade de vida.

“A partir do momento que você melhora a mobilidade, melhora a qualidade de vida. Só em você ter de parar em um sinal amarelo e esperar ele abrir, aqueles 45 segundos já vão lhe causando um estresse grande. Imagine você ficar parado em um grande congestionamento sem conseguir sair do lugar”, declara.

Passe

Já com relação ao Passe livre, que garante ao usuário utilizar mais de um ônibus dentro de uma hora, pagando uma única passagem, o engenheiro Walter Pedro lamenta que tenha chegado tarde. “A falta de integração completa do sistema do transporte de passageiros permitiu a fuga de um número significativo de usuários para outros meios de transporte, incluindo automóveis particulares.” Agora, ele acredita que dificilmente o sistema por ônibus recuperará os usuários, mas entende que a bilhetagem evitará mais “abandonos”.

Com relação ao Passe Livre, Haroldo Maia destaca que a iniciativa possui um cunho social importantíssimo. “É um projeto de inclusão social mesmo. Para aquelas pessoas que pagavam antigamente duas, até três passagens, agora se deslocam com uma passagem para qualquer local da cidade. Teve um impacto positivo muito grande.”

Falta de planejamento é entrave para integração


30/05/2010 - Carla França Repórter - Tribuna do Norte

Transporte público de qualidade é direito do cidadão. Mas, nas cidades que integram a Região Metropolitana de Natal (RMN) – Ceará-Mirim, Extremoz, Macaíba, Natal, Parnamirim, São Gonçalo, Monte Alegre, Nísia Floresta, São José do Mipibu e Nova Cruz – esse preceito não está sendo cumprindo a contento. E não é difícil de entender o porquê. Em dez anos, a frota de ônibus que circula na área foi reduzida quase à metade (passou de 600 para 369 carros) enquanto que a população aumentou em 198.315 habitantes (de 1,12 milhão para 1,32 milhão de pessoas).

O resultado dessa equação só poderia ser negativo: reclamações. Entre as mais comuns estão a superlotação, a mudança constante do itinerário e a retirada das linhas, o sucateamento da frota, o descumprimento dos horários, o valor das passagens, o desrespeito com os passageiros e até a falta de profissionalismo dos motoristas e cobradores com os usuários – que ainda sobraram.

Outro fator contribui para a precariedade do sistema. A falta – ou a deficiência – de fiscalização por parte do Departamento Estadual de Estradas e Rodagens (DER-RN) órgão responsável pelo transporte intermunicipal no Estado. Deixando os usuários do transporte público refém do sistema.

Além da redução na frota, houve também a diminuição no número de empresas – cinco faliram nos últimos dez anos – e de linhas – 71 foram canceladas. A mais recente deixará de funcionar a partir de hoje. É a linha 134 que faz o percurso Ceará-Mirim/Natal (Via Ribeira), da Expresso Oceano.

De acordo com informações do Sindicato das Empresas de Transporte do Rio Grande do Norte (Setrans), hoje apenas sete empresas atendem aos dez municípios da Região Metropolitana de Natal – esse número já foi de 12. As empresas em atividade são: Oceano (que atende Extremoz e Ceará-Mirim), Trampolim da Vitória (faz as linhas Parnamirim, São Gonçalo e Macaíba), Cidade das Dunas (Ceará-Mirim e Nova Parnamirim), Via Sul (Nova Parnamirim) e Riograndense (Monte Alegre e São Gonçalo do Amarante).

Desde 2007 o DER-RN está realizando estudos para a implantação do Plano Diretor de Transporte da RMN, que estuda uma possível integração dos sistemas intermunicipal e urbano. Segundo informações da Diretora de Transportes em Substituição Legal do órgão, Maristela Lopes de Sousa, “esse aspecto está em análise nos ajustes finais para implantação de uma nova rede de transporte intermunicipal de passageiros”.

Para o vereador e membro do Parlamento Comum da RMN, George Câmara, a melhoria do transporte intermunicipal esbarra na falta de planejamento dos órgão gestores. Ele acredita que a integração entre o sistema de transporte intermunicipal e urbano é uma boa solução melhorar a qualidade do serviço oferecido. Mas ele lembra que há dificuldades para a unificação das tarifas e integração dos dois sistemas.

“Em Natal os custos dos percursos menores são subsidiados pelo grandes trechos, o contrário acontece na RMN. Como os itinerários passam pela zona rural poucos são os pontos de paradas que pegam passageiros. É como se fosse um frete, já que não há usuários pelo meio do caminho. Por isso, não é possível unificar as tarifas”, diz George. Ele explica ainda que a questão da integração dos sistemas depende da vontade e do entendimentos dos empresários do transporte e dos gestores públicos. “O que não dá é ficarmos com esse tipo de transporte que não atende a demanda da população. Os problemas que surgem são de cidades grandes, mas mentalidade para resolvê-los é do interior”, criticou o vereador.

Bate-papo
Maristela Lopes Souza, Diretora do DER

TRIBUNA DO NORTE: O sistema de transporte da Região Metropolitana de Natal é regulamentado? Desde quando?
Maristela Sousa: O Sistema de Transporte Coletivo Intermunicipal de Passageiros do Estado do Rio Grande do Norte é regulamentado desde sua implementação, sendo esta regulamentação consolidada, sob a gestão do DER, pelo Decreto nº 16.225, de 30 de julho de 2002, alterado pelo Decreto nº 16.369, de 2 de outubro de 2002 e pelo Decreto nº 19.362, de 22 de setembro de 2006. Tal regulamento abrange todo o sistema de transporte de passageiros de característica rodoviário e metropolitana.

TN: Essa regulamentação funciona na prática? Como é feita a fiscalização do DER?
MS: A regulamentação citada é exercida plenamente na gestão do sistema transporte intermunicipal de passageiros. O DER realiza a fiscalização concentrando esforços em pontos considerados críticos, como terminais rodoviários e nas rodovias estaduais, com apoio do CPRE/RN. No entanto, nas rodovias federais este trabalho é de competência da PRF, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

TN: Qual a frota do Sistema de Transporte da Região Metropolitana de Natal? E qual a demanda de usuários? Essa frota é suficiente?
MS: O sistema de transporte da Região Metropolitana de Natal conta com 183 linhas e 369 veículos. Todos os municípios da Região Metropolitana de Natal são contemplados por linhas do transporte regular. Todos os aspectos relacionados à demanda de usuários, à quantidade de linhas e à frota de veículos estão inseridos nos estudos para implantação de uma nova rede de transporte intermunicipal de passageiros.

TN: Os usuários reclamam da pouca quantidade de ônibus se comparada a demanda. Em Macaíba, por exemplo, só uma empresa atende a população. Como é feita a escolha dessas empresas e a definição das linhas/itinerários?
MS: Atualmente, encontra-se em fase de ajuste final, através de consultoria contratada por meio de processo licitatório, os estudos para implantação de uma nova rede de transporte intermunicipal de passageiros, que tem como respaldo as diretrizes do Plano Diretor de Transportes da RMN. Esse plano buscou identificar, em sua fase de diagnóstico, todas as carências do atual sistema de transporte coletivo intermunicipal. Entre os aspectos abordados no diagnóstico, estão inseridos os estudos de oferta e demanda. Com relação a Macaíba, além de uma empresa, existem mais sete operadoras do transporte opcional que complementam a oferta de transporte nesse município.

TN: Outro problema é com relação a falta de segurança. Usuários dizem ser comum assaltos nas estradas, até mesmo nas movimentadas. O que o DER tem feito?
MS: O aspecto da segurança pública nas rodovias não está relacionado com as competências do DER. Esse questionamento deverá ser feito às autoridades competentes. No entanto, o DER procura escolher pontos de paradas e terminais sempre em locais que propicie segurança aos usuários.

TN: A maioria das linhas não atende a toda Natal. Por exemplo, um usuário que trabalha na Ribeira tem que descer na avenida Rio Branco e para chegar ao seu destino final tem duas opções: ou pega outro ônibus (e paga mais uma passagem) ou vai a pé. Há previsão de unificar o sistema intermunicipal com o da capital?
MS: Atualmente, possíveis restrições nos itinerários das linhas intermunicipais, no perímetro urbano de Natal, estão relacionadas com determinações da Semob, gestora do trânsito e do transporte no município. Existe um convênio de cooperação técnica para seguir e não intervir no trânsito nem atrapalhar a oferta urbana. Sobre uma possível integração dos sistemas, esse aspecto está em análise, nos ajustes finais para implantação de uma nova rede de transporte intermunicipal de passageiros.

TN: Os empresários alegam que os clandestinos atrapalham o sistema de transporte da RMN. Algumas empresas cancelaram algumas linhas. O que o DER está fazendo para reverter essa situação?
MS: Diante da comunicação da desistência de uma linha, a empresa fica obrigada a manter a prestação do serviço por um período de 60 dias, após a comunicação ao DER. O DER pode outorgar, em caráter emergencial, autorização para outra empresa continuar a operação da linha, até a licitação da mesma. Existem localidades que possuem outras opções, como vans ou outra empresa.

Conferindo a qualidade do transporte

Na última semana, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE, utilizou o serviço de transporte público da Região Metropolitana de Natal para ‘sentir, na pele’, as dificuldades pelas quais passam os usuários. No primeiro dia 25.06), a viagem foi feita de Macaíba a Natal, no turno da manhã. No segundo dia (26.05), o itinerário escolhido foi de Natal a Ceará-Mirim, no horário da volta para casa. E nos dois percursos sobraram problemas.

Macaíba/Natal - 25.05.2010

Nas primeiras viagens do dia, os ônibus já saem cheios do terminal. Sobram poucos lugares para os passageiros que vão subir nas paradas seguintes. “Nos horários que a gente mais precisa, de manhã e a noite, os carros de Macaíba só circulam lotados. São 45 minutos de viagem, na maioria das vezes, em pé.”, reclama o ASG Francisco Souza, que mora em Macaíba, mas trabalha em Natal e diariamente utiliza a Linha M (Macaíba/Natal/Via BR-101 Midway), da empresa Trampolim.

Para utilizar a Linha M, o ASG paga R$2,80 por viagem. Valor que ele considera alto. “Eu acho bastante caro, principalmente porque não atende todo o meu itinerário. Eu desço no Midway e ainda tenho que andar 150 metros a pé até o meu trabalho ou pagar mais R$2,00 para pegar outro ônibus. O que era caro, fica um absurdo, gasto R$4,80 só para ir ao trabalho e ainda tem a volta”, diz Francisco de Assis.

As reclamações não param por aí. Para a cabeleireira Michele Xavier Ricardo – que utiliza a Linha G (Macaíba/Natal/Via BR226) – pior do que andar no veículo lotado e pagar o preço maior do que deveria (R$2,65), é a longa espera pelo ônibus. Segundo ela, a demora é maior a noite e nos finais de semana.

“Eu já cheguei a esperar até duas horas pelo ônibus no final de semana. A gente tem que acordar mais cedo para não chegar tarde nos compromissos. Isso é falta de respeito com os usuários”, reclamou a cabeleireira.

A equipe da TRIBUNA DO NORTE percorreu todo o itinerário da Linha G e durante a viagem, que durou 1h26 minutos, os usuários não pararam de reclamar. Em algum lugar do ônibus, que estava lotado, um casal de amigos reclamava da falta de segurança, do preço da passagem e da lotação.

Natal/Ceará-Mirim -25.05.2010

O relógio marcava 18h19m quando a equipe da TRIBUNA DO NORTE chegou ao ponto dos ônibus intermunicpais, na avenida Rio Branco. A parada estava cheia de passageiros ansiosos para voltar para casa.

Depois de quase 30 minutos de espera chega o ônibus da Linha 134 (Ceará-Mirim/Natal/ Via Ribeira). E para espanto, o veículo estava praticamente vazio. No máximo, dez passageiros, ocupavam os assentos. Apesar do tempo de espera, também foram poucos os que embarcaram.

“Antes esse ônibus só circulava lotado, com gente pendurada na porta. Mas as pessoas deixaram de pegá-lo porque não sabem mais se ele vai passar ou não. E para evitar surpresas desagradáveis muita gente prefere pegar um ônibus urbano e descer na zona Norte para depois pegar qualquer um que faça a linha Ceará-Mirim”, explica o fiscal de loja Ailton Rosa Xavier. Ele já esperou mais de duas horas pelo carro da linha 134.

Pegar dois ônibus, além de mais trabalhoso é mais caro para o usuário, que acaba pagando duas tarifas. Uma de R$2,00 para o trecho urbano e outra de R$3,50 para Ceará-Mirim. Ou seja, em um único dia o usuário gasta R$11,00 só com transporte.

Durante todo o percurso (Natal/Ceará-Mirim) o ônibus estava vazio. Para se ter uma ideia, sobraram lugares até a Parada das Mangueira (São Gonçalo) – último ponto do trecho urbano. Depois dela nenhum passageiro subiu no veículo e foram apenas dois desembarques.

Mas segundo a funcionária pública Télia Freire, na maioria das vezes, os ônibus de Ceará-Mirim andam superlotados. “Essas situações são raras. Hoje mesmo, voltei para casa no ônibus antes desse horário e ele estava muito cheio, não cabia mais ninguém”, diz.

Télia e outros 435 moradores de Ceará-Mirim entraram com uma ação no Ministério Público contra as empresas que operam no município e estão cancelando as linhas de ônibus, alegando prejuízos financeiros. Segundo ela, essa justificativa não corresponde a realidade, tendo em vista que a maioria dos veículos circulam com excedente de passageiros.

“Como eles estão tendo prejuízos financeiros e os ônibus estão circulando lotados?? Os alternativos também não dão conta da população e deixam até passageiros nas paradas de tão cheios. Que prejuízo é esse?”, questiona Télia Freire.

Assim como aconteceu na viagem de Macaíba, o motorista da TRIBUNA DO NORTE também fez o percurso Natal/Ceará-Mirim. Ele fez o mesmo itinerário do ônibus, mas em um tempo menor, 51 minutos. Enquanto o ônibus gastou 1h20m.

Fiscalização do DER/RN é deficiente 

Se de um lado os passageiros se sentem penalizados pela falta de qualidade do sistema de transporte intermunicipal, do outro as empresas que oferecem esse serviço também se dizem prejudicadas. Os empresários alegam que o transporte clandestino está roubando os passageiros. E que o órgão fiscalizador, o DER-RN, tem sido omisso.

“Não temos como concorrer com um serviço desregulamentado. Não há como manter um equilíbrio financeiro, se os passageiros são levados pela lotação. A prova é que 71 linhas intermunicipais já foram entregues e se o DER continuar com essa omissão, mais linhas serão canceladas”, diz o presidente do Sindicatos das Empresas de Transporte do Rio Grande do Norte (Setrans), João Carlos Queiroz.

Segundo ele, as vans e os táxis clandestinos ficam com a ‘parte lucrativa’ do transporte intermunicipal: os usuários pagantes. Enquanto que aos ônibus restam os idosos e estudantes, que têm direito à gratuidade e meia passagem, respectivamente.

O problema não está restrito a Região Metropolitana de Natal, a partir de hoje sete das nove linhas que atendem passageiros da Região Agreste, deixam de operar. No total, são dez veículos saindo de circulação e 25 postos de trabalhos que serão desativados. Nos últimos anos, mais de mil pessoas entre motoristas, cobradores e setor administrativo perderam seus empregos.

“O DER atinge apenas as empresas regulamentadas. As vans e táxis clandestinos circulam livremente pelo Estado. Nós, que pagamos impostos, somos cobrados e multados pelo descumprimento dos horários Para se ter uma ideia, cada empresa paga, mensalmente, imposto no valor de R$10 mil chamado taxa de fiscalização. Ou seja, pagamos para ser multados”, reclama João Carlos.

E o problema poderá se agravar ainda mais a longo praz. Isso porque a deficiência de transporte público é em uma das principais necessidades na infraestrutura da RMN e poderá ter um reflexo negativo para o Natal, que vai sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

“Como é que queremos ser sede de uma Copa do Mundo se não temos um transporte de qualidade? Se tudo continuar como estar, a tendência é que o sistema quebre e a população fique a mercê de um transporte que opera de forma irregular”, diz João Carlos.

Para ele, o que poderia dar condições para as empresas voltarem a operar, seria uma fiscalização rigorosa por parte do DER. “É o órgão gestor que tem que decidir o tipo de transporte do estado e não deixar essa escolha nas mãos de clandestinos”, critica o presidente do Setrans.

Sistemas de transportes urbanos devem ser integrados

08/08/2008 - Tribuna do Norte - Bob Calazans

Os ônibus são a face mais conhecida do transporte público de Natal, porém não são a única e nem deveriam funcionar de forma isolada. Além da integração entre as várias linhas que compõem o sistema, também será preciso que o futuro prefeito de Natal consiga somá-las às demais opções de deslocamento da população, notadamente os trens e os opcionais, para facilitar o tráfego e a mobilidade na capital do Rio Grande do Norte e, por conseqüência, em toda a Região Metropolitana.

“Vai chegar um ponto no qual realmente o sistema de transportes por ônibus vai chegar ao seu limite e, se você não tiver opções, como vai ficar?”, questiona o chefe do Departamento de Estudos e Projetos da STTU, Flávio Nóbrega. Por isso mesmo, a integração entre ônibus, opcionais e trens urbanos (ou futuramente os chamados Veículos Leves sobre Trilhos – VLTs) é hoje um dos grandes objetivos da secretaria municipal.

Para isso, no entanto, mais uma vez será necessário rever as regras do sistema, o que passa inclusive pela nova licitação das linhas de ônibus, já que hoje o funcionamento das três principais alternativas de transporte geram mais uma disputa, do que uma união. A secretária adjunta de Transportes da STTU, Lúcia Rejane, afirma que medidas em prol da integração já vem sendo tomadas. “A própria portaria sobre bilhetagem eletrônica foi publicada prevendo a interoperabilidade dos sistemas. Infelizmente, houve um procedimento na Justiça (no qual os empresários de ônibus conseguiram o direito a criarem e operarem um sistema exclusivo).”

O ideal para os gestores do transporte público é que, com uma única forma de pagamento, ainda que não necessariamente pelo mesmo valor, cada cidadão possa, por exemplo, sair de um ônibus, pegar um trem, descer e seguir o trajeto em um opcional, conseguindo assim acesso ágil a qualquer área da cidade. “Que sejam os veículos sobre trilhos, os trens, o que for, mas certamente vamos precisar de opções que desafoguem o trânsito da cidade e garantam o deslocamento da população”, resume Flávio Nóbrega.

Dirigente teme a estagnação do trânsito
Mais que uma possibilidade, a integração entre os vários sistemas de transportes em Natal tende a se tornar uma necessidade. O superintendente local da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), José Fernandes da Silva, defende que essa integração ocorra o mais breve possível, antes de a cidade estagnar por completo, devido aos congestionamentos de trânsito cada vez mais comuns e mais graves.

“Não dá para focar os transportes coletivos de Natal só no modal rodoviário, pois chegaremos a um ponto de estagnação. O ferroviário pode, sim, se tornar uma excelente solução. Os trens poderiam servir para atender os corredores estruturantes da cidade, enquanto ônibus e vans serviriam para deslocamentos nos demais trechos”, aponta. Para isso, a CBTU local vem lutando pela chegada do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), espécie de “bonde moderno”, mais adequado.

Enquanto não se consegue implementar essa proposta, contudo, os trens continuam sendo uma boa opção, inclusive para quem não consegue arcar com os preços das tarifas de ônibus e opcionais. “Esse valor que cobramos (R$ 0,50) é o que o trabalhador tem condições de pagar”, avalia, lembrando que as duas rotas atuais da CBTU, Sul e Norte, atendem áreas bastante adensadas da capital e municípios próximos. 

O superintendente também considera fundamental que o trabalho de integração dos sistemas de transporte envolva não só a Prefeitura de Natal, mas todas as cidades vizinhas. “A capital já atingiu um status de uma metrópole de porte médio. Muitos moradores dessas cidades se deslocam diariamente para cá”, reforça, lembrando que a CBTU tem participado das discussões a respeito do Plano Diretor de Transportes da Grande Natal.

Ele, porém, lamenta a queda de braço entre empresários de ônibus e poder público, registrada em Natal, e critica medidas que vêm segregando ainda mais os sistemas de transporte.

Ônibus e vans são eternos adversários
O sistema de transportes opcionais foi criado em 1997 para suprir as deficiências do sistema por ônibus. Contudo, até hoje, ao invés de complementares, os dois se mantém quase como adversários diretos. O mais recente “round” dessa luta ocorreu quando, no início deste ano, as empresas de ônibus começaram a instalar a bilhetagem eletrônica exclusiva.

“É preciso que o futuro prefeito assuma o controle dos transportes na cidade, porque hoje eles (empresários de ônibus) fazem o que querem. Implantaram um cartão único e ficou por isso”, reclama a presidente do Sindicatos dos Opcionais (Sitoparn), Maia Edileuza de Queiroz. Desde então, os permissionários dos alternativos vêm sofrendo com prejuízos, já que quem utiliza os cartões não pode mais fazer uso dos opcionais.

Essa, porém, não foi a única atitude que colocou frente-a-frente os dois sistemas nesses 11 anos de convivência forçada. “Muitas vezes, quando eles querem tirar as paradas da gente, é só mandar um ofício e tiram. Foi assim na Deodoro e em outros locais da cidade”, aponta a sindicalista, afirmando que os alternativos não são hoje concorrentes diretos dos ônibus. “Ainda assim, espero que a futura gestão consiga tomar o controle e melhorar o transporte público, pois ainda sonhamos com a integração dos sistemas”, diz.

Edileuza Queiroz, no entanto, também duvida que em 2010 as linhas de ônibus venham a passar por uma licitação. “Do jeito que está?”, questiona, referindo-se às repetidas vitórias do Sindicato das Empresas de Ônibus (Seturn) contra a Prefeitura, na Justiça.

Seturn é responsável pelas estações

Desde setembro do ano passado, quando foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), é o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município de Natal (Seturn) quem assume os custos com limpeza, iluminação e manutenção preventiva das estações.

De acordo com a superintendente do Seturn, Adriana Flor, cerca de 80 funcionários, entre agentes, auxiliares de limpeza, trabalham nas estações de transferências. “Fazemos a limpeza diária e a lavagem mensal das estações, pagamos a energia, substituição de peças roubadas, entre outras ações. O problema é que, como não tem policiamento no local, para evitar essas ações, estamos à mercê dos vândalos”, diz Adriana.

Apesar de não ter o valor gasto mensalmente com a manutenção das 11 estações, Adriana lamenta a falta de conscientização das pessoas. “Desde setembro estamos tentando manter em ordem as estações, mas é bem difícil devido às ações dos vândalos. A população reclama da estrutura, mas a culpa não é nossa, fazemos a nossa parte, mas alguns membros da sociedade não colaboram”, disse a superintendente.

Em cada estação de transferência passam em média 2.500 passageiros por dia, um número bastante alto e que já levou a STTU a pensar na ampliação de algumas estações. “Vamos ampliar as três estações mais movimentadas que são as do Terminal Rodoviário, do Bairro Latino e do Mirassol. Elas passarão de 18 para 30 metros”, explicou o chefe do Departamento de Estudos e Projetos da STTU, Flávio Nóbrega.

Questionado se a STTU tem planos de colocar outras estações, Flávio disse que pelo menos por enquanto não é necessário. “No momento essas 11 estações interligam toda Natal, às vezes os passageiros podem usar mais de uma, mas sempre pagando somente uma tarifa”, disse.

Estações de transferências enfrentam problemas

As estações de transferência são até hoje o exemplo mais prático do que se pode chamar de integração no sistema de transportes de Natal. Contudo, as 11 distribuídas pela cidade não deixam de sofrer problemas. Quem as utiliza já deve ter reparado que sempre está faltando alguma lâmpada, esquadrias de alumínio e vidros. Isso porque esses equipamentos são alvos fáceis de vândalos e ladrões, que atuam na madrugada, quando não há vigilância.

“Os vândalos costumam agir entre às 23h e cinco horas da manhã. Várias vezes eu cheguei aqui e me deparei com vidros quebrados, lâmpadas roubadas. Até as nossas cadeiras são roubadas, já levaram umas quatro dessa estação e olhe que fica fechada”, disse o agente de estação de transferência, Marcelo Roberto Souza Cavalcante, que trabalha na de nº 4, do Conjunto Mirassol.

Há cerca de cinco meses, a estação três (Bairro Latino), teve todas as treliças de alumínio (espécie de esquadria) roubadas. Sem essa proteção, os usuários ficam expostos ao sol e a chuva. “É terrível! A gente só usa mesmo porque precisa. Quando eles colocam as grades e os vidros, os bandidos vão lá e roubam. Deve ser por isso que essas estações não oferecem conforto para nós, porque se colocarem algo novo vão roubar. Também acho pequena demais para a quantidade de usuários”, lamentou a promotora de vendas, Daniele Andréia.

A falta de estrutura é uma reclamação freqüente dos usuários, que pedem por um pouco mais de conforto. “A idéia de criar essas estações foi boa, o problema é que elas são desconfortáveis. Além de quentes, não possuem banquinhos para que a gente espere sentado os ônibus que tanto demoram”, disse o ourives Robério Castro.

Mas situação pior é a dos usuários da estação de transferência nº 5, que fica na avenida João Medeiros Filhos, na zona Norte. Há cerca de três meses, foi montada, na calçada do Hipermercado Atacadão, uma tenda que funciona como estação. O motivo é a reforma do equipamento, que inicialmente foi construído muito próximo à avenida e agora está sendo feito o recuo da estação.

“A obra está praticamente pronta e já deveria está inaugurada, o problema é que, recentemente, roubaram um dos vidros e a empresa só vai inaugurar quando estiver tudo pronto”, disse o agente Antônio dos Santos.

“Essa situação é péssima! Se ficar dentro da gaiola já era ruim, imagine ficar aqui debaixo dessa tenda, que não oferece nenhuma proteção”, disse a usuária Eliana Moura.