sábado, 17 de setembro de 2016

Salvador: BRT será operado por empresas convencionais

16/09/2016 - A Tarde

Yuri Silva

Contrato de financiamento do trecho 1 foi assinado nesta sexta - Foto: Agecom-PMS | Divulgação
Agecom-PMS | DivulgaçãoContrato de financiamento do trecho 1 foi assinado nesta sexta - Foto: 

O sistema soteropolitano de BRT (bus rapid transit, na sigla em inglês) será operado pelas mesmas empresas de transporte que controlam as linhas de ônibus de Salvador desde 1992. As 12 organizações que venceram a licitação dos ônibus urbanos em 2014 formam três consórcios desde então, por exigência do edital elaborado pela Secretaria de Mobilidade (Semob).

A informação de que as empresas também vão operar os novos corredores exclusivos para ônibus, que já constava no art. 28.4 do edital, foi ratificada nesta sexta-feira, 16, pelo prefeito ACM Neto, em coletiva de imprensa no Palácio Thomé de Souza, durante a assinatura do contrato de financiamento do primeiro trecho do BRT pela Caixa Econômica Federal (CEF).

"Não vamos inventar a roda, não vai existir uma operação específica para o BRT. A ideia é que o sistema do BRT seja operado pelo atual sistema de ônibus", disse Neto ao ser questionado sobre o "monopólio" das empresas de ônibus na cidade.

Ele também destacou que os coletivos utilizados pelo novo sistema serão articulados, com capacidade para 170 passageiros, portas largas e comprimento de 23 metros - configurações diferentes dos convencionais, apesar da operação pelas mesmas empresas. O secretário de Mobilidade, Fábio Mota, afirmou, ainda, que os novos veículos contarão com ar-condicionado.

Projeto

No evento, que contou com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, técnicos da Secretaria da Casa Civil detalharam o projeto, que ligará a região do Iguatemi à Estação da Lapa quando os dois primeiros trechos  estiverem concluídos. Um terceiro trecho, apresentado ontem pela primeira vez, ligará o Parque da Cidade ao Itaigara.

A previsão é que as obras sejam iniciadas em até quatro meses, após licitação para escolher quem comandará as intervenções. Já o funcionamento pleno do sistema está programado para março de 2019, segundo o secretário de Mobilidade, Fábio Mota.

A divisão do projeto em três etapas foi estratégia do município para facilitar a captação de recursos federais, segundo a prefeitura. Após a assinatura de ontem, a CEF liberou R$ 408 milhões para a construção do trecho 1 do modal (do Iguatemi ao Parque da Cidade).

O trecho 2, entre o Parque da Cidade e a Lapa, custará R$ 412 milhões, sendo R$ 300 milhões recursos do Orçamento Geral da União (OGU), que serão repassados pelo Ministério das Cidades, e R$ 112 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Impactos

Percorrendo 10 quilômetros, o BRT de Salvador  também  implicará intervenções no trânsito de áreas sensíveis da cidade - com a construção de quatro viadutos, quatro elevados e 11 estações -, apontados pela prefeitura como solução para problemas de engarrafamento.

Segundo a Semob, metade da população da cidade faz o percurso entre o Iguatemi e a Lapa pelo menos duas vezes por semana. Atualmente, conforme o órgão municipal, os usuários levam uma hora e meia para chegar ao destino final nos horários de pico.

"Com o BRT, esse tempo cairá para 16 minutos", garante o titular da pasta, Fábio Mota. Para o prefeito ACM Neto, a nova obra "vai melhorar a qualidade de vida da população".

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