sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fortaleza: 90 dias depois, sobram críticas ao BRS-FOR

16/11/2012 - O Povo

Um novo sistema de fluxo foi implantado na avenida Bezerra de Menezes em 13 de agosto. O chamado de BRS (Bus Rapid Service ou Serviço Rápido de Ônibus) dividiu o trânsito em dois, com uma faixa azul. Nas duas faixas da direita, o espaço é destinado aos ônibus, vans e táxis com passageiros. Nas outras duas, o fluxo é liberado para os demais veículos. A reportagem foi até a Bezerra conversar com quem utiliza a via para saber os pontos positivos e negativos do sistema. Após três meses de funcionamento, o BRS é criticado por boa parte da população.


"Há 30 anos, eu ando aqui e posso dizer que só piorou. No horário de pico, as faixas de carro ficam muito engarrafadas", reclama o industriário Reginaldo Andrade, 55. Segundo ele, o trânsito também está mais confuso. Reginaldo conta que os carros têm dificuldade de dobrar à direita, porque os ônibus não deixam e o trecho de linha seccionada (onde os carros podem entrar para estacionar e fazer conversões) é muito curto. "Só o que a gente vê é batida. O nosso motorista não é educado. Essa faixa cria uma situação de imprudência", critica.

A reclamação dos comerciantes é constante. Como os veículos não podem percorrer pelo lado direito, eles dizem que as lojas sem estacionamento ficam menos visíveis e menos visitadas. "Nossas vendas caíram de 30% a 40%. Eu até dispensei um funcionário porque não estava dando mais", diz Carlos Roberto Rocha, 33. Há ainda os que reclamam das paradas seletivas. A auxiliar de enfermagem Luzia Xavier, 52, conta que é preciso andar muito para chegar ao ponto desejado. "E, quando pego o ônibus, não sei em qual parada eu posso descer".

Apesar das críticas, a fluidez dos ônibus é ressaltada pela população. A dona de casa Noêmia Maria de Oliveira, 48, diz que só não é melhor porque os carros não respeitam. Todos os dias, ela deixa a filha na Sociedade de Assistência aos Cegos. "Em horário de pico, eu consigo chegar mais rápido que antes". Segundo o presidente da AMC e da Etufor, Ademar Gondim, a velocidade dos ônibus aumentou de uma média de 12 km/h para 24 km/h.

Ele avalia como positiva a a implantação do BRS na Bezerra. De acordo com Gondim, as paradas com a mesma numeração (as linhas de ônibus estão divididas em 1, 2 e 3) têm, no máximo, 500 metros de distância. "Não poderíamos colocar todas as paradas num local só. Ia ficar uma fila enorme. E os ônibus iam perder a velocidade". Ele considera ainda a reclamação dos comerciantes, mas conta que não é possível permitir as paradas e os estacionamentos por perda do "conceito de fluidez".


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